domingo, 28 de junho de 2026

Da periferia para o mundo - Da luta à conquista.

Texto da Produção 
"Do Gueto à Bonança" é um manifesto de esperança, resistência e transformação.


A canção retrata a trajetória de quem precisou trabalhar desde cedo, enfrentou o preconceito, encontro na educação um caminho de mudança e hoje celebra suas conquistas sem esquecer suas origens.

Interpretada por Aninha Felipe, com composição de Maurinho de Fabri e Marcelo Toledo, esta obra homenageia milhares de pessoas que transformam diariamente as dificuldades em força para seguir em frente.

"Lalaia, renasci das cinzas, hoje tenho lar...
Lalaia, sou negro na cor, formei pra ensinar."

Este videoclipe é um convite à reflexão sobre representatividade, igualdade de oportunidades e o poder da educação na construção de novos futuros.

Porque toda conquista tem uma história. E toda história merece ser contada.

Assista, curta, compartilhe e fortaleça esta mensagem!

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Crônica da Resistência - Samba da Quarta

Por Ivan Da Bahia

Cronista, Escritor e colaborador do Blog

Lauro de Freitas localiza-se na Região Metropolitana de Salvador

Todas as quarta-feira é o dia do samba da quarta em Lauro de Freitas, sob a direção da nossa querida Mãe Carina de Ogum e a Família Miranda. São 5 anos de resistência.

Cinco anos de portão aberto mesmo quando a conta chega antes do pagamento.  Cinco anos de fogão aceso, caldo quente e cachaça abençoada. Cinco anos ensinando que samba não é só festa: é trincheira, é reza, é escola.

Quarta-feira a cidade sabe: tem tambor batendo em Lauro. Tem pandeiro cortando o vento e trazendo cheiro de maresia. Tem velho contando história, tem menino aprendendo palma, tem baiana arrumando a saia pra girar.  

Aqui ninguém cai no samba à toa. Cai porque é chamado. E quem chama é Ogum, na frente, abrindo caminho com a espada de luz. É ele quem segura o teto quando o céu desaba. É ele quem endireita a coluna de quem já pensou em desistir.

A Família Miranda segura essa barra com fé de caboclo. Já teve quarta de chuva, de bolso vazio, de língua ferina dizendo “fecha que não dá”. Mas deu. Porque Larí Lará não é palavra bonita: é grito de guerra. É código de quem não se entrega.

Por isso hoje a rua é nossa. Hoje o surdo fala mais alto que o problema. Hoje a palma vence o cansaço. Então ajeita o chapéu, bate o pé no chão três vezes e chama os seus:  Vamos sambar, Larí Lará, que Mãe Carina está na área!  

Ogunhê!

E quando o primeiro couro estalar, lembra: Essa roda tem cinco anos de calo na mão. Tem axé de mãe, tem lei de Ogum, tem sangue Miranda. Não é só samba. É herança.

Salve Lauro de Freitas. Salve o Samba da Quarta. Salve quem resiste. 

Patakori Ogum!

sexta-feira, 12 de junho de 2026

José Macário está em cena com o samba “Qual é o segredo?”

Por Chico do Cavaco

Cantor e compositor mineiro destaca-se por valorizar a essência do samba

O sambista José Macário está na área!

“Qual é o segredo?” é o recente trabalho autoral do cantor e compositor juizforano, José Macário. A canção chega naquele balanço bacana. Traz como pano de fundo um clima onde amor, paixão, desejo e conquista que se interagem nos devaneios musicais, temas recorrentes na obra do sambista. A interpretação de José Macário mantém o padrão marcado pela alegria e espontaneidade, valorizado pela performance artística, atributos que lhe são peculiares e marca registrada da personalidade do sambista mineiro.

José Macário iniciou a sua participação no mundo do samba na Unidos dos Passos, tradicional agremiação do carnaval da cidade. Atualmente, além da frequência em rodas de samba e gravações, o sambista faz parte da diretoria da escola de samba Real Grandeza, e cantor e compositor do Bloco dos Carteiros. Além de todas essas atividades no assunto carnaval, é figura presente em vários corais de Juiz de Fora. Uma vida intensamente marcada pela música. 

Citação: Segundo José Macário, o samba autoral vem numa rota de crescimento. Ganhou espaço com o advento da internet e está presente nas programações de rádios comunitárias e web rádios espalhadas por todo território nacional. Ao ampliar o espectro na divulgação, compositores e cantores do gênero tiveram a oportunidade de conectarem-se, favorecendo àqueles que outrora tinham as portas fechadas por conta do modelo comercial fortemente influenciado por gravadoras e grandes emissoras de rádio e TV, afirmou Macário.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Crônica: Perfil de Salvador

Por Ivan da Bahia  - Cronista, Poeta e colaborador do Blog
É lembrar da cidade quando ainda cabia no abraço

Almir Ferreira, o Almir do Apache - Clique na imagem 
e saiba mais sobre o renomado cantor e compositor baiano

Falar do Grupo Perfil é lembrar de Salvador Bahia dos bons tempos de Av. Joana Angélica, Colégio da Bahia, Fonte Nova, Dique do Tororó e é claro do Apache do Tororó carregando multidões pelas ruas de Salvador com suas belas canções do Mestre Compositor e Cantor Almir Ferreira do Apache do Tororó...

É lembrar da cidade quando ainda cabia no abraço.  

Perfil não era só grupo. Era cartão-postal cantado. Era trilha de quem descia a Joana Angélica com o Central fincado na cabeça, caderno debaixo do braço e o coração já na batida do ijexá que vinha do Tororó. A gente saía do Colégio da Bahia direto pra Fonte Nova só pra ver a geral cantar junto, e dali emendava no Dique pra esperar o Apache passar.  

E quando o Apache do Tororó vinha... minha senhora. A avenida parava. Era Almir Ferreira no microfone, voz de trovão manso, costurando verso e povo. “Filhos de Gandhi”, “Menino do Pelô”, “Beleza Pura”... cada canção era rua cheia, era camisa enxarcada de suor e de orgulho. O trio não carregava só som: carregava bairro, carregava avó na janela, carregava menino no ombro do pai aprendendo o que era ser baiano.  

Grupo Perfil bebeu dessa fonte. Pegou o mesmo dendê, o mesmo couro dos atabaques, a mesma reza de rua. Botou harmonia onde tinha multidão. Fez do samba-reggae e do ijexá uma sala de visita pra quem vinha de fora, sem nunca esquecer o tempero de dentro.  

Hoje a Joana Angélica tem pressa, a Fonte Nova virou Arena, o Dique tem espelho d’água novo. Mas fecha o olho. Ouve direito. Tem um agogô dobrando ali na esquina do tempo. É Almir cantando, é o Apache subindo a ladeira, é o Perfil respondendo no coro.  

Porque Salvador não esquece. Ela só guarda no compasso. E quando o coro vem, a gente lembra: certos blocos não descem a rua. Eles moram nela.  

Eparrei. O samba é que mantém a cidade de pé.