sábado, 9 de maio de 2026

Falar das Mães é sagrado

Por Ivan Da Bahia
Homenagem a todas mamães do mundo 

Ivan da Bahia é escritor e ativista cultural 

Mãe do meu Pai. Mãe da minha mãe, minha avó. E minha mãe. E todas as mães. É infinito como se fossem as sete notas musicais.

, a primeira, é a mãe que dá o tom da vida. É colo que afina o choro, é peito que alimenta o mundo. Minha avó paterna, alicerce da família Pitta, era Dó: firme, grave, marcava o compasso de todos nós.

, é a que reza baixinho quando a casa dorme. Minha avó materna, reza e reza, com terço na mão e fé no coração, foi Ré: insistente como onda do mar, repetindo amor até virar maré cheia.

Mi, é a mãe que me pariu. Tereza. Mi de milagre, Mi de misericórdia. Mi que me ensinou que tempero bom é cuidado, e que casa sem mãe é violão sem corda.

Fá, é a que faz e refaz a vida da gente. Fá de faca que corta o quiabo, Fá de farinha que engrossa o caldo, Fá de família que nunca deixa faltar.

Sol, é a que ilumina. Toda mãe é um pedaço de sol dentro de casa. Aquece, orienta, e quando a gente se perde, ela vira farol.

, é a que embala. Lá de lágrima que cai escondido, Lá de laço que não desata nunca. Lá de lalaiá que só mãe sabe cantar pra dor passar.

Si, é o silêncio dela quando a gente cresce. Si de sim pra tudo que é nosso, Si de sina que é amar mesmo sem ser chamada.

E depois do Si, volta o Dó. Porque mãe é ciclo, é oitava, é infinito. Uma gera a outra, e a música não para nunca.

Falar das Mães é isso: uma escala que sobe pro céu. Sete notas, mas o amor delas não cabe na partitura.

Minha avó, minha mãe, todas as mães... são a melodia que Deus escreveu pra gente não desafinar na vida. Axé.

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