segunda-feira, 8 de junho de 2026

Crônica: Perfil de Salvador

Por Ivan da Bahia  - Cronista, Poeta e colaborador do Blog
É lembrar da cidade quando ainda cabia no abraço

Almir Ferreira, o Almir do Apache - Clique na imagem 
e saiba mais sobre o renomado cantor e compositor baiano

Falar do Grupo Perfil é lembrar de Salvador Bahia dos bons tempos de Av. Joana Angélica, Colégio da Bahia, Fonte Nova, Dique do Tororó e é claro do Apache do Tororó carregando multidões pelas ruas de Salvador com suas belas canções do Mestre Compositor e Cantor Almir Ferreira do Apache do Tororó...

É lembrar da cidade quando ainda cabia no abraço.  

Perfil não era só grupo. Era cartão-postal cantado. Era trilha de quem descia a Joana Angélica com o Central fincado na cabeça, caderno debaixo do braço e o coração já na batida do ijexá que vinha do Tororó. A gente saía do Colégio da Bahia direto pra Fonte Nova só pra ver a geral cantar junto, e dali emendava no Dique pra esperar o Apache passar.  

E quando o Apache do Tororó vinha... minha senhora. A avenida parava. Era Almir Ferreira no microfone, voz de trovão manso, costurando verso e povo. “Filhos de Gandhi”, “Menino do Pelô”, “Beleza Pura”... cada canção era rua cheia, era camisa enxarcada de suor e de orgulho. O trio não carregava só som: carregava bairro, carregava avó na janela, carregava menino no ombro do pai aprendendo o que era ser baiano.  

Grupo Perfil bebeu dessa fonte. Pegou o mesmo dendê, o mesmo couro dos atabaques, a mesma reza de rua. Botou harmonia onde tinha multidão. Fez do samba-reggae e do ijexá uma sala de visita pra quem vinha de fora, sem nunca esquecer o tempero de dentro.  

Hoje a Joana Angélica tem pressa, a Fonte Nova virou Arena, o Dique tem espelho d’água novo. Mas fecha o olho. Ouve direito. Tem um agogô dobrando ali na esquina do tempo. É Almir cantando, é o Apache subindo a ladeira, é o Perfil respondendo no coro.  

Porque Salvador não esquece. Ela só guarda no compasso. E quando o coro vem, a gente lembra: certos blocos não descem a rua. Eles moram nela.  

Eparrei. O samba é que mantém a cidade de pé.



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