quarta-feira, 23 de setembro de 2026

De 1949 pra cá

Texto: Ivan da Bahia
Ivan da Bahia é poeta, articulista e colaborador do site

Há 70 anos atrás eu vivia com meus pais.
Casa simples, chão de terra batida, mas o coração cheio.
O rádio de pilha tocando na sala, o cheiro do café no fogão a lenha.
Meu pai dizia: "filho, trabalho honra".
Minha mãe dizia: "filho, respeito e fé em primeiro lugar".

Naquela época a gente não tinha muito, mas tinha tudo.
Tinha quintal pra brincar, tinha vizinho que era família,
tinha palavra que valia mais que papel assinado.
O dirigente da cidade passava, dava a mão, conhecia o nome da gente.
E a gente acreditava que o mundo ia melhorar.

Hoje é 2026.
70 anos se passaram.
Eu continuo com os ensinamentos deles no peito,
mas olho pra fora e vejo um mundo diferente.

Vejo dirigente com terno caro e discurso vazio.
Vejo promessa que nasce grande e morre pequena.
Vejo o povo com a barriga vazia e o celular cheio.
Vejo tecnologia que aproxima quem tá longe
e afasta quem tá do lado.

Meus pais me ensinaram a dividir o pouco.
Hoje tem gente que não divide nem o muito.
Meus pais me ensinaram que autoridade serve o povo.
Hoje tem gente que acha que o povo serve a autoridade.

Mas sabe de uma coisa?
O quintal pode ter virado prédio,
o rádio pode ter virado internet,
mas os valores que eles me deram não envelheceram.

Porque honestidade não tem data de validade.
Porque caráter não entra em crise.
Porque o povo continua sendo o mesmo povo:
trabalhador, guerreiro, que levanta cedo e não desiste.

Se os dirigentes de hoje lembrassem
do que os pais da gente ensinavam lá atrás,
talvez o Brasil fosse diferente.
Talvez a gente voltasse a ter "muito" mesmo com pouco.

Então eu escrevo isso aqui,
não pra reclamar do tempo,
mas pra lembrar:
Que o futuro só fica bom
se a gente não esquecer o que aprendeu no passado.

Salve meus pais. Salve 1949 .
E que 2026 aprenda com eles.

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